Penitência

Chorou em dias o que não chorava em anos. Mal conseguia dormir, até a respiração ficara difícil devido a dor que sentia.
A primeira foi marcada pela lembrança de sua infância, quando sua mãe demorara horas para buscá-la na escola. A segunda foi insuportavelmente terrível, após uma hora e meia de espera sentou-se em um banco de praça colocando a cabeça entre os joelhos, repetindo para si “ é um pesadelo, só um pesadelo...” Só conseguia pensar no dia em que seu pai a expulsara de casa e como um pedaço seu havia morrido com aquela impossibilidade de mover o braço devido o peso das roupas que carregara, gerando uma dor incomensurável.
Na verdade, nunca teve muita sorte durante a sua triste e difícil vida. Não concebia a idéia de não merecer um telefonema, motivos, desculpas, despedida, adeus... Nada, não merecia nada. O que ganhara com seu tal amor? Só indiferença e o irremediável e ensurdecedor silêncio que a enlouquecia. Pagaria caro pela sua estúpida decisão. Muita dor, um fardo insuportável de se carregar. Pelo menos resultaria na felicidade alheia.
Tentou até se iludir com a frase “o tempo cura, o tempo cura tudo” não acredito. Não acredito mais em nada.

27.6.06

2 Comments:

Anonymous G said...

Nossa...sou o primeiro a falar aqui...impressionante...
agora uma coisa pelos dois outros textos q eu comentei...(o primeiro e o segundo)...vc é brilhante, não tenha medo de receber esse elogio...é verdadeiro.

13:14  
Anonymous G said...

já q sei q num é mais uma pessoa q escreve...põe no plural...vcs merecem...

13:23  

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